C Cadernos de Antônia1889 — 1930
Capa de A Tabacaria Nacional

A Tabacaria Nacional

Guerras da República, Livro Segundo, 1893-1894

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Beleza Rota

O subtítulo é um anagrama: BELEZA ROTA são as mesmas dez letras de A BERTOLEZA. Bertoleza é a mulher de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, publicado em 1890, o primeiro ano da República. João Romão enriquece com o trabalho dela, retém o dinheiro que ela juntou para comprar a própria liberdade e o papel que a libertaria, e a denuncia aos herdeiros do antigo senhor no dia em que decide tornar-se respeitável. A abolição fora em 1888. A República veio em 1889. É essa a beleza rota, e é essa a República: a que precisou do trabalho e do corpo de quem depois entregou.

O título vem de Pessoa

A Tabacaria Nacional responde ao poema de Fernando Pessoa: não sou nada, nunca serei nada, a parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo. Os dois pares dão o volume inteiro: Pessoa põe o sonho, Azevedo põe o corpo que ele custa.

1893-1894

A Revolução Federalista atravessa o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O livro acompanha a guerra por dentro: as degolas, a aliança entre Castilhos e Floriano, o exército regular contra os maragatos, o manifesto de Joca Tavares, o armamento comprado no Uruguai, os mercenários blancos entrando com as forças de Gumercindo Saraiva. O saque de Bagé, a degola sumária de mais de trezentos prisioneiros em Rio Negro, em novembro de 1893, e a resposta em Boi Preto, em abril de 1894.

Por que é fragmentado

A narrativa é fragmentada porque o que ela narra também foi. Não há ponto de vista único de onde uma guerra civil possa ser vista inteira, e o livro recusa construir um. E já aponta para o norte, onde a mesma lógica se prepara para repetir-se em Canudos.